Se o primeiro dia do Google Cloud Next ’26 em Las Vegas estabeleceu a visão da Agentic Enterprise, o segundo dia (23 de abril de 2026) focou na viabilidade operacional e na segurança em escala de produção.
No Developer Keynote e em sessões exclusivas lideradas pelo CEO Thomas Kurian e lideranças de verticais, a pauta evoluiu para a criação de agentes de IA com Gemini Enterprise Agent Platform, gestão de infraestruturas críticas, a economia real em modelos de IA e a consolidação da segurança através da aquisição histórica da Wiz.
Abaixo, detalhamos os avanços técnicos que não foram abordados na abertura e que definem o estágio atual da “nuvem autodirigida”.
1. Agentic Defense: Arquitetura de Cibersegurança da Wiz
Embora a integração com a Wiz tenha sido apresentada no primeiro dia, o segundo dia posicionou a aquisição de US$ 32 bilhões como o eixo central da estratégia de segurança do Google Cloud.
O destaque evolui do anúncio para a operacionalização. A segurança passa a ser tratada como um sistema autônomo contínuo, capaz de executar, analisar e corrigir ameaças em tempo real, sem depender exclusivamente de intervenção humana.
A plataforma Wiz AI-APP (AI Application Protection Platform) exemplifica essa abordagem ao simular equipes completas de segurança por meio de agentes especializados:
- Red Agent (Automated Penetration Testing): Atua como um pesquisador de segurança persistente, simulando ataques e identificando vulnerabilidades em APIs expostas e configurações em tempo real. Sua função é antecipar vetores de ataque antes que sejam explorados.
- Blue Agent (Forensic Analysis): Responsável pela investigação automatizada. Ele correlaciona sinais de identidade, telemetria de nuvem e logs de sistema para reconstruir incidentes e priorizar riscos com base em contexto.
- Green Agent (Remediation Engine): Atua na resposta, aplicando correções específicas para cada ambiente. Utilizando o contexto do Security Graph da Wiz, a remediação se torna mais precisa e reduz riscos operacionais.
A combinação entre a inteligência de ameaças do Google e a profundidade da Wiz estabelece um novo padrão. A segurança deixa de ser reativa e passa a operar com a velocidade e escala da própria IA.
2. Briefing Estratégico: soberania, qualidade e Model Distillation
Durante o briefing com Thomas Kurian, o foco do segundo dia avançou para um tema crítico que não ganhou protagonismo na abertura: como viabilizar IA em ambientes regulados, com controle e eficiência econômica.
Digital Sovereignty
A discussão sobre soberania de dados ganhou destaque, especialmente para organizações que operam em setores regulados ou em regiões com exigências mais rígidas, como a Europa.
O ponto central não é apenas onde os dados estão, mas como a operação acontece. Isso inclui controle sobre processamento, governança e responsabilidade operacional. A nuvem passa a ser tratada como uma extensão da estratégia regulatória da empresa.
Model Distillation
Outro avanço apresentado foi o uso de Model Distillation como mecanismo de eficiência operacional.
A técnica permite que modelos mais robustos treinem versões menores e especializadas, reduzindo latência e custo por inferência. Isso é fundamental para viabilizar agentes em larga escala, especialmente em cenários de alto volume e menor complexidade.
O impacto direto está na sustentabilidade financeira da IA. Com modelos mais leves e eficientes, torna-se possível expandir o uso de agentes sem aumentar proporcionalmente o custo computacional.
3. Eficiência Operacional: qualidade de desenvolvimento e ROI
Thomas Kurian revelou que 75% de todo o novo código interno do Google é agora gerado por IA, um aumento significativo em relação aos 25% do ano anterior.
Para sustentar essa velocidade sem comprometer a estabilidade, a empresa utiliza telemetria baseada em Gemini para realizar análise de causa raiz de forma autônoma e corrigir falhas de configuração antes que alcancem o ambiente de produção.
No que tange ao ROI, a liderança da Google Cloud na região EMEA enfatizou uma mudança relevante na forma de mensuração de valor. O retorno sobre IA deixou de seguir modelos padronizados e passou a ser definido de acordo com o contexto de cada organização.
As empresas estão abandonando métricas genéricas de produtividade para focar em indicadores diretamente ligados ao negócio, como eficiência operacional, redução de custos específicos ou aceleração de ciclos estratégicos.
O ponto central é claro: o valor da IA não é universal. Ele precisa ser construído a partir das prioridades e objetivos de cada empresa.
4. Developer Keynote: Engenharia de Aplicações Agênticas em Escala
No segundo dia, o Developer Keynote trouxe uma abordagem prática sobre como transformar o conceito de Agentic Enterprise em aplicações reais. Saindo do nível conceitual, a sessão focou em engenharia aplicada, mostrando como desenvolvedores podem construir, orquestrar e operar agentes em escala.
O ponto central foi claro: não estamos mais falando de protótipos, mas de sistemas complexos capazes de modelar o mundo real através de agentes.
A demonstração abordou três desafios fundamentais na construção de aplicações agênticas:
Multi-agent Orchestration
A coordenação entre múltiplos agentes foi apresentada como um dos pilares da nova arquitetura de software. Em vez de fluxos lineares, os sistemas passam a operar como redes dinâmicas de agentes que colaboram, delegam tarefas e se adaptam em tempo real para resolver problemas complexos de engenharia.
Durable Memory
Outro avanço crítico está na capacidade de memória persistente. Os agentes deixam de operar apenas com contexto imediato e passam a manter histórico, estado e aprendizado contínuo ao longo do tempo, permitindo decisões mais consistentes em workflows de longa duração.
Zero-Trust Security
A segurança foi tratada como componente nativo da arquitetura. O modelo de zero trust aplicado a agentes garante que cada ação seja autenticada, validada e auditável, mesmo em ambientes altamente distribuídos e autônomos.
Na prática, o keynote demonstrou como a IA pode ser utilizada para criar outros agentes, operar plataformas de forma autônoma e escalar sistemas que simulam cenários complexos do mundo real.
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