A segurança zero trust se destaca como uma resposta à altura da complexidade atual. Mais do que uma abordagem técnica, ela se torna um pilar indispensável para a governança em nuvem.
Afinal, com os benefícios da escalabilidade, mobilidade e integração de tecnologias, vêm riscos silenciosos e muitas vezes invisíveis: acessos indevidos, vazamento de dados e ataques laterais em redes distribuídas.
Por isso, adotar a proatividade e garantir a alta segurança de dados sensíveis ou não é a atitude mais certa para empresas que desejam aumentar sua competitividade e reputação no mercado.
A falsa sensação de segurança no modelo tradicional
Durante muito tempo, a lógica da segurança corporativa se apoiou na ideia de que tudo o que estivesse “dentro” da rede era confiável. Mas em um ambiente onde aplicações estão em clouds públicas, usuários acessam recursos remotamente e dispositivos se conectam de qualquer lugar, essa fronteira simplesmente deixou de existir.
Continuar operando com base nesse modelo representa um risco direto à continuidade dos negócios. A confiança precisa ser substituída por verificação contínua e inteligente — esse é o princípio da segurança zero trust.
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O que é o modelo de segurança zero trust
A abordagem zero trust parte do pressuposto de que nenhuma identidade, dispositivo ou aplicação deve ser automaticamente confiável. Mesmo que um usuário tenha se autenticado uma vez, isso não é suficiente: cada acesso precisa ser constantemente reavaliado com base em múltiplos critérios, como localização, comportamento, tipo de dispositivo e permissões mínimas.
Essa filosofia se traduz em três pilares fundamentais:
- Verificação explícita de todos os acessos;
- Privilégio mínimo concedido a usuários e sistemas;
- Presunção de violação, tratando cada conexão como potencialmente maliciosa.
Ao adotar esse modelo, sua empresa passa a ter controle fino sobre quem acessa o que, quando, como e por quê — o que é especialmente crítico em ambientes cloud.
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Governança em nuvem exige mais que boas intenções
Governança em nuvem vai além de definir diretrizes para uso de recursos. Ela requer a capacidade de garantir que essas diretrizes sejam efetivamente aplicadas e monitoradas. Sem um modelo de segurança robusto, a governança vira apenas um conjunto de boas práticas sem respaldo prático.
É aqui que a segurança zero trust atua como mecanismo viabilizador da governança:
- Permite visibilidade contínua sobre usuários, dispositivos e cargas de trabalho.
- Garante que políticas de acesso e uso sejam aplicadas em tempo real.
- Ajuda na conformidade com regulamentações, ao gerar trilhas de auditoria confiáveis.
- Reduz o risco de brechas operacionais em ambientes híbridos e multi-cloud.
Em outras palavras, sem segurança zero trust, a governança em nuvem se torna frágil, vulnerável a erros humanos e ataques sofisticados.
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Como aplicar a segurança zero trust na prática
A jornada rumo à segurança zero trust exige mais do que ferramentas: ela demanda uma mudança estrutural na forma como a empresa enxerga identidade, acesso e controle. Apesar de a implementação variar conforme o nível de maturidade digital, algumas práticas são essenciais em qualquer cenário:
Mapeamento de ativos e riscos
Antes de aplicar qualquer política de segurança, é preciso conhecer profundamente o que se está protegendo. Identifique quais dados, aplicações e fluxos de informação são mais sensíveis. Esse mapeamento orienta a criação de zonas de confiança e políticas personalizadas, evitando abordagens genéricas que deixam brechas abertas.
Identidade como novo perímetro
Na lógica zero trust, a identidade é o novo controle de fronteira. O gerenciamento de identidade e acesso (IAM) precisa ser centralizado, automatizado e baseado em contexto. Isso inclui o uso obrigatório de autenticação multifator (MFA), verificação contínua de comportamento e aplicação de políticas adaptativas — como restringir acessos por localização, tipo de dispositivo ou hora do dia.
Segmentação e microssegmentação
A arquitetura tradicional de rede plana é um convite para movimentos laterais de atacantes. A segmentação cria barreiras entre sistemas, aplicações e usuários, enquanto a microssegmentação leva essa divisão a um nível mais granular. Assim, mesmo que uma violação ocorra, o impacto é contido e o tempo de resposta é reduzido.
Monitoramento e resposta automatizada
A confiança não é concedida uma vez — ela precisa ser constantemente revalidada. Ferramentas de monitoramento com inteligência comportamental, aliadas à automação de respostas, são fundamentais para identificar anomalias em tempo real e agir antes que o problema escale. O uso de SIEMs, SOARs e soluções de observabilidade garante uma visão completa do ambiente e acelera a mitigação de riscos.
O risco de não agir
Empresas que ainda confiam apenas na proteção do perímetro ou acreditam que o provedor de nuvem é 100% responsável pela segurança enfrentam um risco silencioso, mas crescente.
De acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2023 da IBM, organizações com modelo de segurança zero trust implementado economizaram, em média, US$ 1 milhão a mais por violação em comparação com aquelas que não adotaram essa abordagem.
A pergunta que se impõe é simples: quanto custaria para sua empresa uma falha de segurança hoje? O tempo para reagir é agora.
O que sua equipe precisa começar a avaliar
A adoção de um modelo de segurança zero trust começa com o entendimento de que o problema não é “se” sua empresa será alvo de ataques, mas “quando”. E que, na maioria das vezes, o ataque só será percebido quando o dano já tiver sido causado.
Alguns sinais de alerta incluem:
- Acesso irrestrito de usuários a múltiplos ambientes;
- Falta de visibilidade sobre quem acessa dados sensíveis;
- Ausência de autenticação forte ou políticas baseadas em risco;
- Crescimento acelerado da nuvem sem uma estratégia de segurança correspondente.
Ignorar esses pontos pode comprometer sua estratégia de nuvem e colocar em risco sua reputação e operação.
Segurança Zero Trust propõe uma revisão de onceitos sobre confiança e controle
A ideia de que a nuvem é segura por padrão é um mito perigoso. A verdadeira proteção começa com a desconfiança sistemática, com validações contínuas e com a aplicação rigorosa de princípios de governança.
A segurança zero trust não é uma tendência ou modismo tecnológico. É uma resposta madura, necessária e estratégica para um mundo onde os ataques não têm mais hora nem lugar.
Empresas que entenderem isso cedo estarão mais preparadas para crescer com solidez — e sobreviver às inevitáveis ameaças digitais que fazem parte dessa nova realidade.











